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'Resistência e existência': fotógrafo baiano retrata luta por autodeterminação de diversos povos do mundo

Rogério Ferrari comenta o contato que teve com palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no mundo

08/01/2021 11h48
Por: David Santos
'Resistência e existência': fotógrafo baiano retrata luta por autodeterminação de diversos povos do mundo

O fotógrafo Rogério Ferrari, baiano de Ipiaú, narrou o contato que teve com povos em situação de ocupação e a luta pelos direitos fundamentais ao redor do mundo. Autor do projeto "Existência-Resistência", que retrata através de imagens e relatos a condição dessas populações, ele conversou com Mário Kertész na manhã de hoje (8), do Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole. Ele contou como surgiu essa ideia de abordar as pautas dos direitos civis.

"Eu comecei a delinear à medida que fui fazendo e, quando estava na Palestina, eu percebi que retratar, descrever ou informar não caberia numa reportagem. Comecei a delinear a partir daí vislumbrando uma ideia de livros e uma sequência de temas relacionado à essa perspectiva", comentou Ferrari. 

Ele conta como teve a intenção de registrar o conflito entre palestinos e israelenses. A compreensão dele é de que, através da fotografia, era possível construir uma narrativa sobre povos e movimentos que lutam por autodeterminação, ou seja, pelo direito de existir de acordo aos seus parâmetros culturais próprios.

"É um dos conflitos mais antigos e resolutos da história da humanidade. De modo geral, as pessoas não têm uma compreensão clara. De imediato, há um entendimento como se fosse um problema entre judeus e muçulmanos, um dos maiores equívocos iniciais de pensar esse problema como se fosse entre esses dois. Não se trata de uma questão religiosa. Depois, fundamentalmente, há uma questão relacionada ao que foi a decisão da ONU, tomada em 1948, como forma de conhecer ou contemplar uma reinvindicação histórica ou dos israelenses ou dos judeus. Parte da comunidade judaica não se sente contemplada e não compactua com o que foi a decisão do estado de Israel. Era um território onde esses povos conviviam pacificamente", afirmou o fotógrafo. 

Rogério Ferrari ainda comentou que o conflito na Palestina conta com a "conivência e complacência, além da incompetência, da comunidade internacional".

"Embora o estado de Israel tenha se estruturado como uma das maiores potências militares do mundo, efetivando uma política atroz, cruel e paradoxal, no sentido de que, se a gente pensa o que é a história e sofrimento do povo judeu, era de se esperar que aquela história que bem diz Paulo Freire não acontecesse, do oprimido se transformar no opressor. De alguma maneira, isso é o que acontece em Israel. É uma atitude racista, de negação de direito de existência do povo palestino. Isso está, além de sustentado, pelo que é a hipocrisia do que é a geopolítica internacional", disse o fotógrafo.

Ele traçou um paralelo da situação em Israel e comparou com o Brasil, que também registra uma série de ocorrências de ameaças aos direitos humanos. "A situação do povo palestino, de modo geral, é inaceitável. Com relação ao que é a compreensão do conflito, o cotidiano é o assassinato de crianças desarmadas. Não se trata de um conflito convencional de dois exército, com armas convencionais, um de lá e outro de cá. Mas uma situação de uma população ocupada, ortigada cotidianamente e sendo assassinada de uma maneira deliberada pelo simples fato de ser palestina. Um pouco como acontece aqui no Brasil, o que as forças de seguranças ao verem um negro ou um pobre, de imediato, suscita a decisão de que são suspeitos e desprezíveis, possíveis de serem assinados. Há uma equivalência nessa percepção", afirmou.

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