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Jovens negros ignoram padrões em processo de valorização da estética

A passos lentos, mas mudando, graças aos longos anos de luta dos ancestrais. E o resultado dessa luta já pode ser visto no autorreconhecimento da estética, autoaceitação, autoestima e empoderamento de uma nova geração de jovens

20/11/2020 11h50
Por: David Santos Fonte: A Tarde
Jovens negros ignoram padrões em processo de valorização da estética

Até pouco tempo atrás, a estética dos negros era motivo de críticas jocosas e comentários depreciativos. Por décadas, as características negroides foram colocadas à prova e os negros passaram a modificá-las para tentar se enquadrar no ideal perfil de beleza branca, ainda vista nos dias atuais como padrão social normativo.

Mas, felizmente, essa realidade está mudando. A passos lentos, mas mudando, graças aos longos anos de luta dos ancestrais. E o resultado dessa luta já pode ser visto no autorreconhecimento da estética, autoaceitação, autoestima e empoderamento de uma nova geração de jovens.

A estudante Lindiwe Onawale, 18 anos, faz parte dessa geração que aprendeu em meio ao racismo sofrido o quão bela e forte é. "Me enxergo como uma mulher negra, linda, inteligente, amada pela minha família e amigos, com um nome lindo que resgata as minhas origens, sentindo-me capaz de alcançar meus objetivos e realizar futuras conquistas profissionais e pessoais honrando a história construída pelos nossos ancestrais, como Zumbi, Dandara, Luiza, Maria Felipa, Carolina Maria de Jesus, dentre outros", afirma.

Para a também estudante Bianca Silva, 17, o processo de autoaceitação não foi tão fácil, mas a vida se encarregou da tarefa de ensiná-la. "Foi um processo de aceitação. Hoje, me reconheço pelo meu cabelo crespo, meus beiços grandes, meu tom de pele e me orgulho dos meus ancestrais. Sou uma mulher linda, amo meu tom de pele, aceito e acho maravilhoso o meu cabelo, meus traços, minhas raízes e sou uma mulher maravilhosa", exalta Bianca.

O químico Felipe Santos Nascimento, 27, se orgulha de ser descendente de reis e rainhas. "Enxergo-me como herdeiro da mais bela e rica cultura. Sinto-me descendente de reis, rainhas, Zumbi, Zeferina, entre outros. O orgulho vem como consequência dessa descendência. Nunca me senti feio por ser negro. No seio da minha família, materna sobretudo, sempre me senti acolhido e representado desde sempre, com minha mãe Valdimere e minhas tias e tio com cabelos trançados, cortados ou nos turbantes para sair no Ilê Aiyê, pelos amigos da família que visitavam a casa de minha vó", lembra Nascimento.

Citando trecho da música Ilê de Luz , que diz "Todo mundo é negro, de verdade é tão escuro, que percebo a menor claridade", o músico Matheus Malveiro, 24, critica o racismo persistente na sociedade e declara: "Meu povo é lindo!".

Beatriz Oliveira, 20, estudante de letras vernáculas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), revela que teve a vantagem de ter nascido em uma família monoracial e que seu processo de aceitação aconteceu de forma natural. Ela é só orgulho. "É impossível não se orgulhar. Continuar resistindo e sendo autêntico historicamente, mesmo passando por tantas tentativas de apagamento e silenciamento, faz de mim potência apenas por existir", afirma.

"Fui ensinada a amar meus traços", afirma Beatriz Oliveira | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

A maquiadora e influencer digital Lailane Dorea, a Beberes, 28, acredita na força da maquiagem no processo de fortalecimento e valorização da beleza negra. "Entender o papel da maquiagem na potencialidade da construção do empoderamento da mulher e homem preto vai além do que a gente entende como padrão. A maquiagem é, de fato, mais um pilar nessa construção", esclarece.

Beberes usa o seu talento para contribuir com esse processo de construção e reconhecimento da identidade de mulheres e homens negros. "Costumo idealizar meu papel como alguém que aborda a desconstrução do imaginário 'aceitável' pela sociedade, entender que para além de realçar é mostrar que o belo é a gente se aceitar e amar o que vemos no espelho, é a singularidade dos nossos traços, do nosso cabelo, nariz, boca e que isso está tudo bem, afinal, nós somos únicos. A maquiagem vem para somar, e integrar mais uma de nossas camadas, é um reflexo da nossa criatividade, personalidade e cultura, vem dos nossos ancestrais, do nosso povo", reafirma Beberes.

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