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Pandemia tornou o cinema uma experiência afetiva e de comunhão, diz crítico

Em entrevista à Rádio Metrópole, Luiz Carlos Merten também falou sobre a experiência de ir a um drive-in no "novo normal"

24/07/2020 14h23
Por: David Santos Fonte: Metro1
Pandemia tornou o cinema uma experiência afetiva e de comunhão, diz crítico

O jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten refletiu, em entrevista a Mário Kertész, hoje (24), na Rádio Metrópole, sobre os novos significados que a sétima arte ganha durante a pandemia de coronavírus. Citando o exemplar deste mês da revista especializada britânica Sight & Sound, que traz "diários" do lockdown escritos por diretores renomados, Merten afirmou que o isolamento amplia a dimensão afetiva das obras cinematográficas.

"Agora mesmo eu estava lendo o diário do lockdown do [diretor] Pedro Almodóvar. Ele escrevendo sobre como é para ele viver essa pandemia e viver o cinema na pandemia. Ele até estabelece uma lista de onze filmes que ele acha imperdíveis entre os que ele tem visto, mas ele levanta justamente uma questão que parece muito interessante: vários filmes que a gente tem uma memória afetiva, que a gente conhece, e novos filmes também, terminam ganhando uma outra dimensão, e a gente tem um outro olhar sobre eles. (...) Eu me surpreendo como por um lado, eu acho que estou muito mais emotivo, outro dia me peguei chorando numa Sessão da Tarde, e eu digo 'meu Deus, para um crítico de cinema isso é o fim da linha', mas é que a gente realmente fica muito mais suscetível a essas mensagens de afeto. Por outro lado, como as coisas mudam, né? Tem detalhes de filmes que a gente não via desse jeito. Com o isolamento, as coisas terminam adquirindo outros valores", afirmou.

Merten também falou sobre a importância que o cinema ganha enquanto elemento de comunhão, lembrando uma experiência do diretor Roger Corman. "Lá atrás, nos anos 70, Ingmar Bergman fez 'Gritos e Sussurros', que era tido como um filme de arte, o suprassumo do filme de arte, que você precisava ter uma sensibilidade especial pra apreciá-lo. Aí o Roger Corman fez uma experiência: lançou o filme em um drive-in no Texas. Não foi o maior estouro da história do drive-in, mas funcionou muito bem para aquele público. O próprio Bergman, quando soube, mandou uma carta agradecendo, porque ele nunca imaginou que um filme daqueles pudesse interessar a um público de um drive-in do interior do Texas. Esse é o fascínio do cinema, a possibilidade de que pessoas de culturas e origens diferentes possam sentir a beleza de uma obra", disse.

As mudanças provocadas pelo coronavírus incluem as restrições a lugares fechados e com aglomerações de pessoas. Nessas condições, os cinemas drive-in se tornam a única alternativa para a retomada das exibições. O crítico contou que já esteve presente em um cinema desse tipo durante a pandemia e ressaltou que, no "novo normal", a experiência é muito diferente do drive-in de outros tempos.

"É uma experiência muito interessante, porque quem já foi num drive-in algumas vezes na vida foi em uma determinada circunstância. Hoje em dia, nesse novo normal, dentro de todos esses procedimentos de segurança, isolamento total, não pode sair de dentro do carro, antigamente podia... Muda tudo, vira tudo um outro tipo de experiência, e isso é muito legal. (...) Me pergunto o que vai ser do depois. O cinema vai ter que voltar de maneira muito restritiva. Tudo vai mudar na experiência de ver filmes", analisou.

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