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Apuração paralela cobrada por Bolsonaro já é realidade com soma de boletim de urna

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram usadas 143 urnas na cidade em 2020. Jorge afirma que, em geral, seu grupo consegue reunir pelo menos 90% dos boletins

13/05/2022 às 10h47 Atualizada em 13/05/2022 às 10h57
Por: Lohan Santana
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Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/TSE
Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/TSE

No site da Justiça Eleitoral, a apuração dos votos para prefeito do município de Jaboticabal, no interior de São Paulo, ainda estava zerada, mas, na cidade, um dos candidatos já comemorava enquanto outros reconheciam a derrota.

O fato foi noticiado pelo repórter da Folha que acompanhou a disputa na cidade em 2020. A diferença de votos entre os concorrentes foi obtida por meio de apurações paralelas dos grupos políticos.

Isso é possível porque, ao final da votação, cada urna imprime um comprovante com o total de votos nela registrados, os chamados boletins de urna. Uma via deve ser afixada pelos mesários na porta de cada seção eleitoral. Também os fiscais de partidos podem requisitar uma via.

“A gente tem um pessoal que fica nas escolas nos locais de votação”, conta Luís Carlos de Jorge, presidente do PL de Jaboticabal e que trabalhou na coordenação da campanha do candidato que acabou vitorioso. “No final, quando fecha a urna às 17h, cada um pega [o boletim] numa seção e vai conferir depois.”

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram usadas 143 urnas na cidade em 2020. Jorge afirma que, em geral, seu grupo consegue reunir pelo menos 90% dos boletins.

Ele explica que, coletados os registros, os fiscais seguem para o mesmo local e passa-se então à totalização, que pode ser feita no papel ou no computador.

Questionado sobre o objetivo da operação Jorge diz que é para saber mais rápido quem ganhou. “Até que os boletins cheguem no cartório eleitoral a gente já tem mais ou menos a informação.”

E faz questão de ressaltar que confia no sistema. “A urna é segura. Eu fui eleito e não fui eleito”, adiciona. “Então não posso falar mal do sistema.”

Apesar de este não ser o objetivo citado pelo político para fazer a contagem paralela dos votos, a comparação das somas dos boletins de urna impressos com os resultados contabilizados pelo TSE permite auditar que tanto a transmissão quanto a totalização dos votos ocorreram corretamente.

Neste ano, além dos boletins físicos na porta das escolas, o TSE anunciou que passará a divulgar os boletins na internet em tempo real —antes eles eram disponibilizados três dias depois do pleito.

Assim, mesmo em cidades maiores, será mais fácil auditar a contabilização no mesmo dia.

Apenas com uma parcela dos boletins físicos, é possível conferir por amostragem se o registro em papel bate com o online, e, na sequência, contabilizar o restante, sem necessariamente ter que ir a cada escola para recolher os documentos.

Ainda que não em tempo real, fazer essa conferência já era possível nas última eleições, já que tanto o boletim de urna impresso quanto o online poderiam ser acessados por qualquer pessoa.

Apesar disso, em ameaças recentes ao processo eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) repetiu discurso que já usou em outros momentos de que a apuração dos votos ocorreria numa “sala secreta” da Justiça Eleitoral.

“Quando encerra eleições e os dados chegam pela internet, tem um cabo que alimenta a ‘sala secreta do TSE’. Dá para acreditar nisso? Sala secreta, onde meia dúzia de técnicos diz ‘quem ganhou foi esse’. Uma sugestão é que neste mesmo duto seja feita uma ramificação, um pouco à direita, porque temos um computador também das Forças Armadas para contar os votos”, disse Bolsonaro.

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